quinta-feira, 24 de abril de 2014

Avaliações da II Bienal Brasil do Livro e da Leitura

Na condição de quem participou ativamente de todos os 11 dias da II Bienal Brasil do Livro e da Leitura, realizada em Brasília entre os dias 11 e 21 de abril de 2014, coloco abaixo alguns dos meus destaques positivos e negativos sobre o evento. No geral, os debates promovidos pela Bienal foram muito bons, mas a organização deixou muito a desejar em alguns pontos.

DESTAQUES POSITIVOS

- As historinhas contadas por Eduardo Galeano na abertura da Bienal.

- A conclusão da mesa com Xico Sá e Sérgio Rodrigues de que é possível torcer para o Brasil sem entrar em conflito com a sua consciência política. 

- O nível do debate sobre biografia, com participação do Ruy Castro e moderação do Toninho Vaz.

- As moderações de Toninho Vaz, Paulo Rossi, Rosana Jatobá e do curador Luiz Fernando Emediato. 

- A decisão de distribuir ingressos individuais para as palestras, ao contrário da primeira Bienal, em que o acesso era livre. 

- Venício de Lima e Beto Almeida discutindo comunicação e violência. 

- Thiago de Mello puxando aplausos em homenagem a García Márquez. 

- O texto lido por Ignácio de Loyola Brandão com as recomendações da ditadura para os jornalistas da época.

- A surpresa do público que foi ver o Mia Couto e descobriu o Gonçalo M. Tavares. 

- A participação da Ana Paula Maia no debate com novos ficcionistas e sua observação sobre os personagens burgueses da nossa atual literatura. 

- A presença do presidente de Gana no Seminário Krisis. 

- O nível das discussões levantadas pelo americano James Holsten no Seminário Krisis.

- Cristóvão Buarque falando sobre as utopias da modernidade.

- A envolvente conversa de Marçal Aquino sobre adaptações literárias para o cinema. 


DESTAQUES NEGATIVOS

- A programação foi divulgada com míseros sete dias de antecedência. 

- Carlos Heitor Cony e João Ubaldo Ribeiro, anunciados como atrações ainda no começo do ano, estavam fora desta programação. 

- Os 500 ingressos para a homenagem ao Eduardo Galeano se esgotaram em 1h, embora a página no Facebook dissesse que foram em 4h e estivessem previstos incríveis dois dias de distribuição. Cada pessoa tinha direito a dois ingressos. No fim entrou até quem não tinha nenhum. 

- Até algumas horas antes da homenagem ao Galeano ainda não se sabia se haveria ou não um telão para quem não conseguiu entrar. 

- A página da Bienal no Facebook bloqueou os meus comentários depois das minhas críticas à organização desta homenagem. E olhe que era uma Bienal para refletir sobre o período da ditadura. 

- No primeiro dia da Bienal, ainda não estavam prontos os auditórios Jorge Amado e Nelson Rodrigues, embora debates estivessem previstos para eles. Improvisou-se um auditório no Pavilhão D. 

- Todas as três mesas sobre os novos ficcionistas brasileiros foram marcadas para o terrível horário das 11h30 de sábado ou domingo, incluindo aí o dia de Páscoa. A assistência foi reduzida.

- No primeiro domingo estava previsto novo debate com Eduardo Galeano. O ingresso informava não apenas um horário errado para o evento, mas o próprio local. Fui até o Café Literário Jorge Ferreira, como estava escrito, e não encontrei a menor movimentação para esta palestra, que acabou acontecendo no Auditório Nelson Rodrigues.

- O Café Literário Jorge Ferreira, aliás, era um dos locais mais escondidos de toda a Bienal, prejudicando quem participava dos debates naquele local. Também as exposições sobre o Pasquim e as fotografias do tempo da ditadura estavam em locais remotos e perderam em assistência.  

- Alguns moderadores simplesmente sumiram, nas palavras da própria organização, obrigando a improvisações ou a realizar debates sem nenhum moderador, como foi o caso do bate-papo com Mia Couto e Gonçalo M. Tavares. O primeiro, inclusive, declarou-se meio perdido com a situação. Dois debates com os novos ficcionistas brasileiros atrasaram devido ao sumiço de moradores. 

- A não-previsão na programação dos debates que ocorreram no dia 21 de abril, todos realizados com pouquíssima participação do público. 

- Problemas de estrutura: os tapumes de madeira que serviram como piso tinham mais falhas, buracos e desníveis do que lugar seguro para caminhar. Os banheiros não tinham água. Os galões de água mineral ao longo dos pavilhões raramente eram repostos. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Os escritores brasileiros nos livros do exterior

Existe uma ferramenta chamada NGram Viewer que permite montar gráficos com a frequência que um termo é citado ao longo dos anos nos livros cadastrados no Google Books. O serviço está disponível para livros de diversas línguas, mas ainda não o português. Em todo caso, já é possível se divertir um pouquinho com as estatísticas de livros em outras línguas. 

Abaixo, um gráfico com a frequência de citação a alguns escritores brasileiros em livros de diferentes línguas. 


Livros em alemão

Livros em espanhol

Livros em francês

Livros em inglês

Livros em italiano