Para Eduardo Galeano
As historinhas se ofereciam a Eduardo Galeano e pediam para ser
contadas. Eram histórias que haviam acontecido e também que nunca
aconteceram, mas que aconteceriam no momento em que fossem contadas.
Havia a história do menino que descobriu o mar e disse para o pai
“me ajude a olhar”. Também havia a história dos soldados que
durante trinta e um anos montaram guarda para um banquinho com tinta
fresca. Ou ainda a história do espetáculo de pantomima que teve
mais atores do que expectadores. As histórias chegavam de todas as
partes da América. Algumas surgiam por ouvir, outras nas paredes, e
outras ainda nos sonhos de Helena. E a maioria vinha mesmo é do
tanto-sentir. Em comum, as histórias tinham o coração – mesmo as
mais fodidas, as histórias de ditadura, ditadores e ditadoriados. E
as historinhas não pediam muito, apenas um ou dois parágrafos, às
vezes uma ou duas frases. Eram historinhas tão pequenas, mas
incendiavam a vida com tamanha vontade que era impossível olhar para
elas sem pestanejar, e quando chegou perto delas Eduardo Galeano
pegou fogo.

Que lindo! Seria um prefácio perfeito. Vou falar com o Edu! hahahaha
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