Nenhum argumento convence quem não
deseja ser convencido. Não adianta apresentar as suas conclusões a quem ainda
não chegou a elas. A única maneira de uma pessoa concordar com você é oferecer
meios para que ela - se quiser - chegue sozinha às suas próprias conclusões.
Não é outra a lógica das parábolas: uma linguagem figurada, um sentido obscuro
que obriga - aqueles que assim desejarem - a refletir a respeito. Sendo bem
construída, ela faz com que o ouvinte chegue à mesma conclusão de quem a
contou. E, no entanto, se tudo fosse dito abertamente desde o início, onde
haveria disposição para aceitá-la?
*
Pode até funcionar para grande parte
da população, mas, para mim, quem se preocupa mais em desconstruir a imagem do
adversário - seja ele quem for - amontoa brasas sobre a sua própria
cabeça.
*
Para que um candidato elogie o seu rival, é preciso
que ele morra.
*
Todos parecem dispostos a provar de
forma racional a superioridade das suas escolhas, mas o que parece ser
realmente decisivo na escolha de um candidato é a fé que se deposita nele.
*
Há propostas de governo tão perfeitas
- pelo menos da forma que são apresentadas - que só falta incluírem a
ressurreição da carne.
*
Todo mundo é a favor de uma nova
política, mas eu ainda não vi ninguém prometendo ser uma nova pessoa.
*
O desafio: deixar que o outro seja
livre para fazer o que eu não concordo.
*
Como nos parecem sensatas as pessoas
que concordam conosco!
*
Acredite: é possível que uma pessoa
inteligente e honesta intelectualmente chegue a conclusões totalmente opostas
às suas.
*
Quando foi a última vez que você
voltou atrás em uma discussão?
*
Ainda prefiro alguém que volte atrás a
alguém que, com toda a sua coerência e firmeza de propósitos, nos leve ao
precipício.
*
Tudo será perdoado ao homem - menos que
ele tenha alguma dúvida.
*
Carreata serve para cantar vitória –
mesmo diante da mais flagrante derrota.
*
A mim pouco importa que a candidatura
de um político ficha suja tenha sido finalmente barrada pela justiça eleitoral:
antes, ela já havia sido barrada pelo tribunal mais terrível de todos, que é o
da minha consciência.
*
Não sei qual é a melhor estratégia para a nossa economia. Não sei se a autonomia do Banco Central é boa ou ruim. Não sei como resolver a questão da segurança pública. Não sei quais propostas de campanha são inviáveis. Não sei o que fazer para conseguir a paz mundial. Mas deixo aqui a minha admiração por todos aqueles que sequer precisam pensar a respeito: em segundos, enxergam todos os ângulos possíveis de uma realidade e sabem exatamente qual é o caminho ideal a seguir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário